segunda-feira, 23 de maio de 2011

Plebiscito

"Voto expresso diretamente pelo povo, isto é, o voto (sim ou não) por meio do qual os cidadãos de um país deliberam diretamente sobre uma proposta, lei ou resolução que lhes é submetida."
Na verdade, além da tradução direta, poderia significar "faca de dois gumes". Observe que, no que tange à gestão municipal, uma administração é escolhida, eleita pelo próprio povo, ou a maioria deste, para conduzir os rumos da cidade. Contudo, ao se deparar com situações conflitantes na sociedade, apela para o tal do plebiscito, consulta popular ou o nome que queiram.
Será que isso acontece para ouvir a voz do povo ou para tirar as responsabilidades de suas costas quando dos resultados, com o argumento de que foi a decisão do povo?
Além disso, questionamentos do tipo sim ou não dificultam o enriquecimento do debate e acabam por cercear um pensamento coletivo muito mais amplo. Como sempre digo, a herança capitalista neoliberal que trazemos conosco ainda é muito forte, haja vista a maneira de condução das administrações e a nossa aceitação ao remédio imposto.
A comunidade da Timbaúva representada por apenas 191 pessoas, optou pelo sim, a volta do estacionamento dos dois lados da Bruno de Andrade, mesmo entendendo ser um paliativo, uma vez que todos sabem que muitas outras medidas devem ser tomadas para não piorar ainda mais a situação. Em outras oportunidades, estivemos reunidos com a administração, grupos de comerciantes e moradores daquela localidade, inclusive com uma série de sugestões para aplacar o problema, experiências de quem de fato vive o dia a dia daquela via. Contudo, a administração optou por se eximir e jogar a responsabilidade, mais uma vez, para o povo, através de um sim ou não. Nossa preocupação é de que, a exemplo daquela fatídica consulta que votou sim para a vinda do centro administrativo para a Timbaúva, porém até agora nem sinal e já estamos às portas do fim do mandato deste prefeito, levemos mais um ano para efetivar as mudanças aclamadas pelo povo na consulta sim ou não. Minha posição sempre foi a de contemplar o maior número de pessoas possível e nossas sugestões, junto com o povo, vão muito além da volta do estacionamento dos dois lados. Nossa esperança é que isso seja então um pontapé inicial e, quem sabe, um próximo governo tenha a coragem de assumir, de fato, um papel que é seu de dever, a partir de consultas sim, mas prévias e não depois do problema instalado, além de pareceres técnicos conectados à mobilidade urbana contemporânea, a qual prioriza a pessoa e a acessibilidade universal.

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