As tristes rotinas do Palácio Piratini
Mal iniciou o recesso parlamentar na segunda quinzena de julho e integrantes do Governo Yeda são novamente flagrados protagonizando irregularidades. Infelizmente, um comportamento que já se tornou rotina no Palácio Piratini. Desta vez, além da rotina, trata-se também de um personagem reincidente. O chefe de gabinete da governadora Ricardo Lied, denunciado por utilizar o aparato de segurança do Estado para espionar adversário políticos, vai até a casa do então presidente do Detran, Sérgio Buchmann para pedir ao mesmo que telefonasse para o filho, avisando de sua prisão por tráfico de drogas. Desconfiado, Buchmann avisou a imprensa e acabou demitido. Em depoimento que dará dias depois à Polícia Federal, Sergio Buchmann revela que houve pressão para a manutenção do pagamento de uma suposta dívida com a empresa de guinchos que prestava serviços a autarquia. A mesma pressão que derrubou também sua antecessora, a delegada Estella Maris Simon, por recusar o pagamento sem uma profunda auditoria. O episódio revela que o esquema de desvio de recursos públicos através de terceirização dos serviços continua operando, mesmo depois da Operação Rodin e da CPI do Detran.
Neste cenário e sem se pronunciar sobre o caso, a governadora Yeda Crusius deixa sorrateiramente o Estado em busca de orientação partidária
Pois, na primeira reunião de seu Conselho político, na segunda-feira última, marcada para retomar o diálogo com integrantes da base aliada, a governadora não só frusta seus apoiadores com sua ausência, como confirma que as tais mudanças seguiriam a rotina das manobras de distração da opinião pública. Mais uma vez, apenas uma encenação de que providências seriam tomadas. Nada acontece no governo, assim como nada acontece na Assembléia Legislativa, onde a base do governo não permite a instalação de uma CPI para investigar as crescentes evidências de corrupção, o que já beira a omissão. Se este comportamento pode ensejar até certa cumplicidade, não poderão estes representantes justificar sua inércia, afirmando não existir fatos novos. Resta saber, qual será a desculpa para o não cumprimento de seu papel público.
Stela Farias, deputada estadual/ PT